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CRÍTICA MUSICAL: “VERSOCRÁTICO”


Por: Diego Pinheiro - jornalista, crítico musical e blogueiro (13/12/2023): https://diegopinheiro.com/pt/index.php/criticas/eps/gustavo-nobio-versocratico-diego-pinheiro-critico-musical

Depois de anunciar três singles ao longo dos meses de fevereiro, maio e agosto, o cantor, compositor e rapper Gustavo Nobio anuncia Versocrático (2023), seu primeiro EP. O material, que sucede A Contundente Arte Das Rimas (2022) seu terceiro álbum de estúdio, apresenta as impressões do artista sobre o mundo, mas, principalmente, sobre a região metropolitana do Rio de Janeiro.

Audição / Streaming / Ficha Técnica / Download: https://gustavonobio.bandcamp.com/album/versocr-tico-ep


Assumindo o personagem de radialista, Gustavo Nobio aparece recepcionando o ouvinte acompanhado de uma trilha branca melancólica. Saindo desse timbre propositadamente nasal, o cantor embala em um rap de fácil digestão. Fluida e leve, a melodia proposta em Dialética Loquaz tem uma estética que é capaz de rememorar, na memória do ouvinte, aquela proporcionada por Gabriel O Pensador principalmente nas canções de seu álbum Quebra-Cabeça. Com bom groove vindo do baixo trazido pela programação de Lucas Victor Pereira do Nascimento, Nobio, com seu timbre grave e de notas fanhosas, faz de Dialética Loquaz, assim como pede o rap, uma canção repleta de rimas que, aqui, exaltam a função e a representatividade do rap como ritmo a dar voz não apenas aos sentimentos reprimidos, mas um grande meio de liberdade de expressão sobre o tudo, sobre o mundo. Certamente, Dialética Loquaz não se limita a apenas destacar a importância do rap e da cultura do hip-hop. Ela é uma obra que, acima de tudo, condena e critica a manipulação televisiva e culturalmente maciça da teledramaturgia a respeito daquilo que deve ser aceito ou negado. A ausência de senso crítico [do telespectador] é o ponto-chave dessa que é uma música de simples, mas não sutil, ritmo opinativo sobre a sociedade e sobre aquele designado a, ao menos em contrato, garantir a segurança e o respeito à população.

Mais azeda e densamente mais cabisbaixa, a nova canção que se inicia é … , até mesmo, em certos aspectos, chorosa. Com uma estrutura mais musicada propriamente dita, ela apresenta versos mais maleáveis e não tão absortos na rigidez estética do rap. Ainda assim, ele segue sendo o norteador. Com um viés altamente socio-reflexivo, Mantendo A Firmeza traz um Nobio se aventurando entre falsetes e dialogando, ou melhor, pensando alto, sobre a sociedade como instrumento de hipocrisia e manipulação. Apesar de ter o gancho de discussão nesse ponto, Mantendo A Firmeza é uma canção que motiva o foco, a persistência, a autoconfiança e a capacidade de se manter lúcido e inviolável em um mundo regido por interesses das mais diferentes naturezas.

Já iniciando com um refrão onomatopeico sugerindo a canção em sintonia com o público no caso de sua performance ao vivo, No Drible Dos Reveses reintroduz aquela forte presença do sonar groovado do baixo empregada em Dialética Loquaz e é dominada por um beat marcante trazido por Danilo Minarini. De refrão contagiante, No Drible Dos Reveses é circundada por sobreposições vocais que ampliam a harmonia enquanto ressalta e destaca a dialética não tão somente sobre a desigualdade, mas sobre a falta de amparo e, principalmente, sobre a simplicidade na forma de encontrar a felicidade. Afinal, esse é um atributo que, se o indivíduo é adornado por grandes doses de humanidade e humildade, pode ser encontrado, garantido e assumido nos momentos mais imprevisíveis.

A base rítmica é trazida, inicialmente, por uma bateria de frase linear e sequencial … por Bruno Brecht. Interessante notar que, logo em seu início, Antagônico se mostra a composição de estética mais bem trabalhada, até o momento, em Versocrático. Afinal, nela o ouvinte pode perceber fusões do rap já padronizado com elementos do trip hop e do chiptune [música eletrônica produzida com chips de som de computadores antigos]. Com momentos de estridências súbitas por conta do aumento repentino do alcance vocal de Nobio, a canção apresenta singelas e rápidas falhas em sua equalização [atualização: problema já corrigido com a substituição do arquivo de áudio em todas as plataformas de streaming], mas não tiram o mérito de ser, assim como Mantendo A Firmeza, uma obra contagiante e de caráter radiofônico do EP. Antagônico é uma faixa que, como o próprio nome chega a sugerir, discute a falsidade e a dupla personalidade ao mesmo tempo em que tenta encontrar a verdadeira essência do indivíduo.

Iniciando sozinho, destacando seu vocal anasalado, Nobio logo transforma Que Horas São? / V.P.R.N. [música também conhecida como Via Ponte Rio-Niterói] em uma faixa que, mais que Dialética Loquaz, se familiariza generosa e abrangentemente com a estética rítmico-melódica das obras de Gabriel O Pensador. Tendo na reprodução do sonar tilintante do triângulo o principal elemento a comunicar seu movimento, a canção é contagiante também pelas aveludadas teclas do teclado, como pela contribuição sintética do caxixi. Também agraciada por sobreposições vocais ampliando as noções de harmonia, Que Horas São? / V.P.R.N. traz o Carnaval como um curioso, repentino e necessário torpor para com os sofrimentos e as dificuldades da rotina. Mais do que isso, a faixa é o relato do dia a dia de uma pessoa comum, que trabalha seis dias por semana para garantir o sustento e se ver livre de dívidas e processos envolvendo baixa em sua própria cadeia monetária. E a Ponte Rio-Niterói é o palco dessa ida e vinda entre trabalho e lar, responsabilidade e lazer, tensão e tranquilidade. Necessidade e alento.

Com pouco mais de 24 minutos de duração, Versocrático consegue expor seu viés socio-reflexivo cheio de fortes opiniões. Opiniões essas não apenas sobre a vida e sobre o regime burocrático que a circunda, mas sobre a hipocrisia disseminada como algo normal e natural de uma comunidade refém do próprio senso de responsabilidade.

Como um material rimado, o EP consegue facilmente trazer o ouvinte para si e inseri-lo como um indivíduo participante e atuante das discussões propostas. Não é difícil se perceber, portanto, formulando opiniões através dos diálogos monológicos desenhados por Gustavo Nobio.

Como um grande feito do rapper, Versocrático consegue ser enfático, mas não agressivo. Incisivo, mas não autoritário. É um produto que, mesmo sem explorar a extrassensorialidade, consegue fazer o ouvinte sentir o calor ardido de um Sol de verão em meio às ruas de grandes centros urbanos fluminenses. É possível se ver de pé em um ônibus a caminho do trabalho e, inclusive, sentir a responsabilidade das contas chegando e da angústia de não ter como as pagar.

É assim que Gustavo Nobio propõe o pensar sobre a rotina, sobre as pessoas e sobre o governo que molda esse dia a dia. Para que isso funcione da melhor forma, o rapper se aliou a Paulo Xytake (360K Estúdio - São Gonçalo, RJ), Leandro “LD” Souza (Ponto 30 Records - Niterói, RJ) e Bruno Brecht (Tomba Records - Niterói, RJ) para a função de mixagem do material. Foi assim que o EP exalou com destreza sua essência rap, mas também soube caminhar sobre os terrenos do trip hop e do chiptune.

O único ponto a se destacar é que, em Antagônico, houve um desequilíbrio súbito de equalização em determinado momento que Nobio estende seu alcance vocal. Mesmo assim, isso não chega a ser um elemento demasiadamente prejudicial à conjuntura estética do EP. Atualização: problema já corrigido com a substituição do arquivo de áudio em todas as plataformas de streaming.

Fechando o escopo técnico, vem a arte de capa. Feita pelo próprio Nobio, ela exala a simplicidade e o improviso ao apresentar o busto do cantor em total evidência, Esses são fatores que, inclusive, permeiam cada uma das cinco faixas do material na tentativa de incitar a plenitude no indivíduo.

Lançado em 18 de setembro de 2023 de maneira independente, Versocrático é um EP que pensa a rotina do brasileiro e representa o indivíduo comum, suas aflições, anseios e receios. É um trabalho que, apesar de educado, oferece opiniões fortes sobre a sociedade e seu modo de vida, além de, com todo o esforço possível, tentar disseminar a capacidade de encontrar a felicidade naquilo que existe de mais simples.


Cotação do crítico: 3 estrelas e meia/4.

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O programa Talentos do Brasil recebeu o cantor, compositor e rapper Gustavo Nobio para um super bate-papo com o locutor Fernando Oliveira. A entrevista foi ao ar pela Rádio Alerj FM (105,9 - RJ) no dia 14/02/2025 e contou com a performance do artista cantando cinco músicas autorais.

Ouça na íntegra!

Youtube
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Potente Durâmen é um projeto musical que surgiu da mente fértil do cantor, compositor e rapper Gustavo Nobio que aqui assume a persona Rimano Grão-Notável. Natural do Estado do Rio de Janeiro, baseado na cidade de Niterói, o artista criou em 2009 sua “banda de um homem só” munido de muita criatividade, automotivação e espírito independente. Em 2010, com a colaboração do produtor Bruno Brecht lançou “Po-Du EP: Experiência Positiva” com sete faixas (https://pduramen.bandcamp.com/album/po-du-e-p-experi-ncia-positiva), tendo a concepção artística de Gusnob DeSaints.

O álbum foi inteiramente escrito por Rimano G.N., produzido e gravado no estúdio niteroiense Tomba Records em que o emecê interpretou todas as canções. Fã de Bezerra Da Silva e Jay-Z, homenageou ambos na faixa dois* deste extended play além de exaltar a imponente Ponte Rio-Niterói no refrão da faixa sete. Um fato curioso é que *“Quebra de Silêncio”, naquele mesmo ano, tocou no Dubmission Radio Show, da rádio pública norte-americana WYEP-FM.

Desde seu conceito original, o projeto apresenta uma mistura interessante de hip-hop, dancehall, afrobeat, maracatu, embolada, spoken word (poesia declamada) com influência de música popular brasileira e ritmos latino-americanos e caribenhos. Desse amálgama musical surge o caliente tropical bass como uma forma de expressão a colocar a América do Sul no mapa dos sons que reverberam pelo mundo.

Catorze anos depois… Po-Du está de volta divulgando “Libertino”, uma verdadeira pedrada musical que acerta com efeito na batida vibrante do ragga-reggae. Com produção de Gusnob DeSaints e Paulo Xytake, a faixa foi gravada, mixada e masterizada no 360K Estúdio (São Gonçalo - RJ). A letra fala de um jovem indisciplinado, que negligencia deveres e obrigações, seduzido pela vida bandida.


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#Aspirações | “Têm coisas que a gente sonha, têm coisas que a gente pensa. Pensa demais que até adormece. No dia seguinte, muita coisa a gente esquece. A gente estuda, a gente trabalha e faz sacrifícios porque dizem que isso enobrece. Não necessariamente a gente enriquece, mas com conhecimento o ser humano cresce. Presente vira passado. Futuro vira presente e aí… alguma coisa acontece! E se for algo de bom, o coração se contenta e agradece.”


- Gusnob DeSaints

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VERSOCRÁTICO [EP]


Entre contratempos, compromissos formais de um cotidiano competitivo e burocrático e a necessidade quase fisiológica de compor e se expressar através da arte musical, Gustavo Nobio sempre se mantém motivado e encontra tempo para produzir e gravar em algum estúdio. Após lançar três singles inéditos em 2023 — nos meses de fevereiro, maio e agosto; agora o cantor, compositor e rapper chega às plataformas digitais com o EP “Versocrático” reafirmando seu talento com veia crítica e narrando experiências de vida. Nas cinco faixas que compõem o ótimo extended play, o artista apresenta cada rap-canção como quem relata suas impressões sobre o mundo, quase crônicas sobre vivências emocionais, sociais e culturais na região metropolitana do Rio de Janeiro.

Em “Dialética Loquaz” expõe sua paixão pela cultura hip-hop e critica o esvaziamento poético do gênero, rimando com excelência numa base bem suingada (funky beat) parecendo um partideiro à vontade numa roda de samba. O neoclássico rhythm and blues “Mantendo A Firmeza” mostra um poeta operário sensível às dores do mundo tentando superar obstáculos impostos pelas complicadas relações humanas. E continua a luta por um lugar ao sol organizando o ritmo da sua vida em “No Drible dos Reveses”, um jazzy boom bap introduzido por lindos vocais que remetem ao scat singing. Até aqui são quase 15 minutos do brazilian flow natural em que Nobiog deixa patente suas habilidades líricas e melódicas, este ilustre desconhecido que já é verbete no Dicionário Cravo Albin da Música Popular Brasileira (https://dicionariompb.com.br/artista/gustavo-nobio).

Seguindo o streaming dos nobilíssimos versos socráticos na batida do rap, o single experimental “Antagônico” (lançado em 2022) também aparece no mini álbum para comprovar a versatilidade do compositor, onde brinca com oposição de palavras e aponta certas contradições humanas numa melodia neosamba com o peso do boom bap. E o EP finaliza com a empolgante “Via Ponte Rio-Niterói (Intro-Versão)” — creditada na plataforma Bandcamp como “Que Horas São? / V.P.R.N.”. Embora não seja uma música da nova safra do rapeador fluminense, essa versão com uma introdução a cappella difere, por esse detalhe, daquela que faz parte do álbum “Sucessos Nobianos Que O Mundo Nunca Ouviu!” (2019).

Com a concepção artística e musical de Gusnob DeSaints, as faixas foram produzidas por Lucas Victor [“Dialética Loquaz” e “Mantendo A Firmeza”, estúdio Ponto 30 Records - Niterói, RJ]; Danilo Minarini e Gusnob [“No Drible dos Reveses”, estúdio 360K - São Gonçalo, RJ]; Gusnob [“Antagônico”, estúdio Tomba Records - Niterói, RJ]; Bruno Brecht e Gusnob [“Via Ponte Rio-Niterói”, no Tomba Records]. Gravação, mixagem e masterização por Leandro “LD” Souza (Ponto 30 Records), Paulo Xytake (360K Estúdio) e Bruno Brecht (Tomba Records).

Nesses tempos de stream views inflados em que músicas viraram meros bordões maciçamente repetidos em aplicativos de vídeos curtos, parar para apreciar letras com conteúdo precisa voltar a ser um hábito. Convido você para ouvir e prestigiar o trabalho desse artista independente, verdadeiramente compromissado com o ritmo e a poesia da música popular contemporânea. Compartilhe!

“Sócrates já dizia que da vida nada sabia. E eu, desse mundo sou só mais uma cria. Um garoto que se apaixonou pela poesia. Hoje, poeta operário que quanto mais questiona, mais adquire sabedoria. Um cantador diletante que faz música para viver em harmonia. Porque a liberdade é um direito que não se negocia”, Gustavo Nobio.


OUÇA!!!

● Bandcamp: https://gustavonobio.bandcamp.com/album/versocr-tico-ep

● Spotify: https://spotify.link/EoDZCfjajDb

● Deezer: https://www.deezer.com/br/album/491352775

● YouTube Music: https://music.youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_k5RKH8pdLxMF6gDrxDyuB116an9oCFghw

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● YouTube: https://youtube.com/playlist?list=OLAK5uy_kM9uMRTXoNOGrrgFaZ-NcPLyvOoTpzss8

● Tidal: https://tidal.com/browse/album/317740871

● Anghami: https://play.anghami.com/album/1043725379

Para celebrar os 50 anos da Cultura Hip-Hop, a canção “No Drible dos Reveses” — do rapper Gustavo Nobio, single lançado no dia 1° de agosto de 2023 — entoa o bravo canto do rap numa homenagem à velha escola dos pioneiros DJ’s e MC’s.

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CELEBRANDO OS 50 ANOS DA CULTURA HIP-HOP, O RAPPER GUSTAVO NOBIO LANÇA MÚSICA QUE EVOCA O ESPÍRITO DA VELHA ESCOLA DO RITMO E POESIA…

🎧 https://gustavonobio.bandcamp.com/album/no-drible-dos-reveses

“No Drible dos Reveses”: Disponível nas principais plataformas de streaming!!!


Surgida nos burgos nova-iorquinos quase trinta anos do pós-Segunda Guerra, a Cultura Hip-Hop — cuja pedra fundamental fora lançada pelo DJ jamaicano Kool Herc em 11 de agosto de 1973 — sempre foi marcada pela superação das dificuldades, pelo discurso impactante, pela atitude visual e sonora fazendo desta manifestação artística um ato político-musical que revolucionou a indústria fonográfica a partir da década de 1990. E tudo começou com poucos recursos, na base do improviso e despretensiosamente.

O Hip-Hop, assim como qualquer outro movimento cultural, também foi alvo de polêmicas, críticas e controvérsias que ampliaram ainda mais sua importância histórica seja na arte ou na sociedade, ditando novas tendências estéticas e comportamentais. E muito pelo fato de ter nascido na terra do símbolo-mor do Imperialismo capitalista, foi quebrando barreiras geográficas ao longo do tempo e espalhou sua influência pelo mundo.

Sendo a pobreza um produto necessário ao capitalismo, o Hip-Hop surge como fruto da desigualdade para amplificar a voz da exclusão através das rimas e batidas ao ansiar também fazer parte da sociedade consumista, permitindo que os atores envolvidos naquela seminal cultura marginal contestassem ou celebrassem o mesmo sistema nas block parties (festas de bairro) da Nova York daquele período setentista. Oficialmente, o termo que une as palavras “hip” + “hop”, em alusão ao ritmo do momento, foi mencionado pela primeira vez nas músicas Rapper’s Delight (Sugarhill Gang) e Superrappin’ (Grandmaster Flash & The Furious Five), ambas lançadas em 1979.

Há quem afirme que a primeira música que se tem registro a apresentar um trecho de canto falado, bem semelhante ao rap que se conhece hoje, foi Deixa Isso Pra Lá, gravada por Jair Rodrigues e lançada em 1964. Outros dizem que o toasting da Jamaica, a embolada do Nordeste brasileiro ou até mesmo o scat singing do jazz norte-americano (técnica vocal criada por Louis Armstrong) já seriam precursores mais antigos do estilo de versos ritmados que começou a ser difundido lá na cosmopolita Big Apple. De qualquer maneira, a verdade é que todos estão certos! Mas isso não desconsidera o legítimo pioneirismo dos emcees hoje sexagenários, ele, Coke La Rock; e, ela, Sha-Rock.

E para celebrar os 50 anos da Cultura Hip-Hop, a brasileiríssima canção No Drible dos Reveses — do rapper Gustavo Nobio — entoa o bravo canto do rap incorporando a energia e a motivação, típicas desse estilo de música urbana, numa homenagem à velha escola dos pioneiros DJ’s e MC’s, mas de maneira indireta, sem mencionar termos específicos ou nomes icônicos; falando das dificuldades do cotidiano, dos percalços da vida e da satisfação em conquistar algo de bom que o faça perseverar com propósito. Ou seja, o verdadeiro espírito da cultura de rua que ao regar os lírios do gueto, faz brotar a poesia, inspira a esperança e afasta tanto medo.

Sem deixar de se importar com a técnica que a prática proporciona ao letrista e ao intérprete, conforme sua evolução, o nobilíssimo artista da cidade de Niterói (RJ) antes de tudo concentra sua verve à clareza da mensagem conduzida por uma base de boom bap bem casada ao suingue da linha de baixo jazzy funk. Cultivador da palavra desde que se apaixonou por livros e quadrinhos na adolescência (já perto do fim da década de 1980, início de ‘90), foi no rap que o jovem Nobio encontrou um vasto terreno para plantar e espalhar suas ideias, época em que descobriu Run-DMC, Public Enemy, Eric B & Rakim, MC Hammer, Tone Löc e um pouco mais tarde, em língua portuguesa, Racionais MC’s, Thaíde & DJ Hum, Magrellos, GOG, Câmbio Negro.

Relacionando o contexto histórico do Hip-Hop com a exortação lírica de No Drible dos Reveses, dá pra perceber o quanto os princípios de paz, união, amor e diversão pregados pela Zulu Nation (ONG fundada pelo DJ Afrika Bambaataa em 1973) ecoaram pelo planeta inspirando rimadores incipientes a cantarem suas experiências, tentando com isso mudar sua realidade difícil vivida nas favelas do subúrbio ou vizinhas dos bairros de classe média alta. E o Brasil, fortemente marcado pelas sequelas da herança escravocrata, certamente foi um dos países da América do Sul que mais assimilou a urgência da linguagem verbo-rítmica do rap para denunciar as mazelas aqui presentes.

Não à toa, hoje o gênero musical já tem seus primeiros artistas bilionários em solo estadunidense enquanto outros mantém os 4 elementos vivos e unidos [rapping, breaking, graffiti & street art, deejaying/turntablism] na cena underground. Mas por não prometer nenhuma salvação messiânica, o Hip-Hop pode apontar qualquer caminho que o indivíduo entender e desejar; filosofia de vida, expressão poética, ideal político, compromisso, escapismo, entretenimento de massa, etc. O Hip-Hop é uma esponja capaz de absorver o jazz, o rock, o samba, a bossa nova, o reggae, a rumba, o mariachi, o erudito, etc, e transformar a diversidade em pluralidade. Então…

Viva o Hip-Hop, seu legado musical, seus arquitetos e todos aqueles que ao longo de cinco décadas contribuíram para o fortalecimento da cultura!!!

📢))) #HIPHOP50 ✊🏽🎤👊🏽



SOBRE O ARTISTA:

Gustavo Nobio é cantor, compositor e rapper, cria da cidade de Niterói desde os 10 anos de idade, oriundo do interior do Estado do Rio de Janeiro, nascido no dia 1º de outubro de 1975. Artista diletante da cena alternativa local com três álbuns virtuais lançados: Sucessos Nobianos Que O Mundo Nunca Ouviu! (2019; Coletânea de canções produzidas de forma independente entre 2004 e 2010), Nobilíssimos Êxitos (EP, 2021) e A Contundente Arte das Rimas (EP, 2022), além de singles inéditos em 2023. Denominando-se poeta operário e sustentabilista, é um amante da natureza, defensor do equilíbrio ecológico, faz música para viver em harmonia por acreditar que a fórmula do sucesso é a paz interior para poder testemunhar todos os dias o brilho do sol rumo à boa finitude da mais longeva idade.

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